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Exposição Perfuro

de que servem esses
aforismos e palavras
bonitas?

há um ninho emaranhado de retas curvas sobrepostas em diversas direções

sangue, pus e suor

como se chamam esses lugares por onde nós (…) transicionamos na colonialidade? pergunto não sobre os territórios que devem permanecer inomináveis, mas sobre os espaços de prisão – identitários e geográficos – criados pelos conhecimentos modernos

eu havia sonhado com imagens dias desses que caminhei por imagens e me vi em imagens que me sopraram palavras

699. porque somos irrepresentáveis

325. durante muito
tempo fiquei presa na
repetição

kurupyra nos contou talvez uma das mais comoventes e brilhantes histórias sobre os ‘‘olhos que comem ossos’’, e como tem sido o mundo após os olhos alcançarem toda a população de ditos humanos

brincar de modelar com as mãos é um dos exercícios daqueles que escrevem textos brincar de modelar com as mãos é um dos exercícios daqueles que escrevem imagens brincar de modelar com as mãos é um dos exercícios daqueles que pensam imagens brincar de modelar com as mãos é um dos exercícios daqueles que pensam textos

o lado comercial da arte no qual tudo se vende, até mesmo indiscrições críticas como a de jogar luz sobre essa esfera mercantilista – afinal, a crítica institucional é um dos produtos preferidos nas prateleiras das feiras de arte e nos programas de exposições de museus, e haja psicanálise institucional, de pessoa jurídica, para explicar isso

805. deformar experimentos para a decomposição da performance

pode ser curadoria decolonial, curadoria antirracista, curadoria travesti, e vai se criando várias fórmulas identitárias que não se preocupam com a história da palavra. a limpidez e a luminosidade está profundamente ligado ao regime linear da vida, que é um regime que estrutura o nosso mundo, então precisa ser visto, revisto e deslocado dele

almas são memórias. memórias não se descobrem, memórias se criam no ato cotidiano de querer não esquecer

001. gostaríamos de iniciar pondo um intervalo no domínio da visibilidade. gostaríamos de iniciar traçando uma cartografia que não depende da ideia de localização. gostaríamos de iniciar propondo uma prática composicional indisciplinar e fugitiva. gostaríamos de iniciar pensando a destruição do mundo como conhecemos como uma forma de cuidado. gostaríamos de iniciar pela descolonização da matéria colonizada. gostaríamos de iniciar com uma espada a cortar o mundo-ferida. gostaríamos de iniciar com uma convulsão na gramática. gostaríamos de iniciar com um acidente na percepção

estamos aqui agora – sem a permissão de um soberano – estamos aqui agora –
sustentando a moral indefensável

gostariamos de iniciar onde seu corpo é pelo maior espaço possível

000. escavar pois o que está embaixo está também acerca

gostariamos de iniciar


Ficha Técnica Exposição Perfuro

Curso | babel babel

Curadoria | babel babel

Artistas Gabe Nascimento, Geaorgi Andres, Lusquédi, Maju Ferretti, Mira Visuais, Nestor Varela, Ronna Freitas de Oliveira, Silè

Ficha Técnica Manutenção MUTHA 2025

Direção Museal, Direção de Produção, Curadoria e Pesquisa | Ian Habib

Museologia e Coordenação em Museologia | Mayara Lacal

Webdesign | Arthur Mayan

Assessoria de Imprensa |  Vicente Negrão

Artes Digitais, projeto gráfico e design | Denu

Realização | Funarte – Ações Continuadas 2024/2025 – Espaços Artísticos

Produção | Museu Transgênero de História e Arte

Produção executiva | Purpurina Filmes e Produções

Direção de Produção Executiva | Be Zilberman

COMO CITAR O MUTHA?

O MUTHA é uma obra artística e um projeto científico autoral de Ian Guimarães Habib. Por esse motivo, o MUTHA deve ser citado junto de sua autoria, a partir da seguinte obra:

HABIB, Ian Guimarães. Corpos Transformacionais: a transformação corporal nas artes da cena. São Paulo: Ed. Hucitec, 2021.