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Mira Visuais

    Minibio

    Mira (São Paulo, 1996) é bióloga e artista educadora. Interessada em poéticas entre identidade de gênero e ecologia, sua prática transdisciplinar abrange desenho, têxti, performance, escrita e audiovisual. Idealizou Mira Visuais, espaço de confluência para artistas trans e travestis periféricas na criação e circulação de imagens além da violência. Seus últimos trabalhos investigam relações de maternidade na comunidade trans, gestação e história natural. 

    FICHA TÉCNICA

    Local de produção da obra: São Paulo – SP

    Título da obra: Catalogar

    Ano de criação: 2025

    Artista / Autoria: Mira Visuais

    Técnica / Meio: Adesivos, lápis 6B e giz pastel oleoso sobre catálogo da Bienal de São Paulo.

    Descrição Conceitual: Quais os procedimentos necessários para legitimar uma pesquisa ou uma pessoa pesquisadora? Em Catalogar (2025), Mira apresenta uma colagem feita nas páginas do catálogo da Bienal de São Paulo com adesivos, desenhos e trechos de seu livro “Trabalho de Parto”. Em investigações poéticas para reescrever a história natural a partir da pergunta “e se eu estiver grávida?”, perfura o arquivo do sistema de arte para validar-se enquanto artista pesquisadora institucionalizada.

    Descrição formal: Página dupla do catálogo da Bienal de São Paulo, páginas brancas com pintura oval em giz pastel oleoso, árvores filogenéticas e um texto escrito à lápis: Quase me esqueci da minha mãe. Dia desses precisava liberar espaço para as atualizações do Estado das novas normas de circulação nos espaços públicos. Desde a proibição do compartilhamento de armazenamento entre nós, impedindo acesso e troca de informação, fui forçada a abrir mão das minhas memórias afetivas. Não me lembro mais da minha infância, da escola ou se tive amigos durante a adolescência. Não tenho registros imagéticos de escaladas, mas a memória muscular se apresentou quando não enfrentei dificuldades para subir o morro a fim de crakear a nuvem que cobria o Sol e pegar de volta nossas memórias. Descargas elétricas e um clarão hipnotizante derrubaram pessoas do nosso grupo em retomada, mas juntos elaboramos prompts de rememoração para dar conta de mais uma vez nos lembrarmos, e assim posso dizer que ainda me lembro da minha mãe. Não me lembro de seu rosto, de seu aniversário, do seu nome ou do que gostava de comer. Mas ainda me lembro de seu laboratório, de seus feitiços que transmutavam materiais, de suas joias de sementes e do meu parto. Sinto que me pareço com ela. Guardo segredos como joias, são meus tesouros. Para todas as mães ancestrais, para todas as madrinhas travestis, para todas as mães que não gestaram, para todas as pessoas que gestam e não são mães, para todas as mães que gestaram e para todas as pessoas que quase se esqueceram de suas mães. Para minha mãe e para o que ainda existe dela em mim.

    COMO CITAR O MUTHA?

    O MUTHA é uma obra artística e um projeto científico autoral de Ian Guimarães Habib. Por esse motivo, o MUTHA deve ser citado junto de sua autoria, a partir da seguinte obra:

    HABIB, Ian Guimarães. Corpos Transformacionais: a transformação corporal nas artes da cena. São Paulo: Ed. Hucitec, 2021.